Sozinho...no seu quarto escuro, de um lado multidão, do outro solidão...
Tem dia que até a solidão quer ficar sozinha...
No meu desejo de analisar comportamento das pessoas, chego sempre em uma misteriosa incógnita, sempre que tento entender, entendo menos ainda...
Duplicidade, ambiguidade, orgulho...existem pessoas complicadas de se conviver, mas ao mesmo tempo fascinantes.
Viajo no tempo e espaço quando observo alguém...cada um com seu jeito, com seus trejeitos...com seus absurdos, com suas maravilhas...
A conclusão que eu chego ao observar as pessoas é que elas gostam de estar perto de pessoas, mas quando algo ameaça, é só ela e mais nada!
Só consigo entender até quando estão em multidão, mas quando viajam para dentro de si, perco meu controle de observação, e a partir dai, tudo é mero palpite.
Ah como eu queria comprar um disco voador e levar meus amigos para fazer uma viagem, um de cada vez, em uma viagem sem rumo e sem chegada, só para conseguir entender o que já não esta em minha compreensão...
Poder dizer: Agora estamos só eu e vc aqui...conte-me...não me esconda..to aqui...quero te escutar...
Quando vencemos barreiras de comunicação tudo se torna mais fácil e mais prático.Vencemos o medo, perdemos a vergonha, pois encontramos no outro a mesma fragilidade.
Para acontecer qualquer tipo de aproximação é preciso ter abertura entre todas as partes, é preciso deixar os pré-conceitos de lado e assim se entregar a magia de uma relação, seja ela de qualquer tipo.
Se livre das amarras!Não pontue seus passos!
Se entregue e deixe a magia acontecer!
quarta-feira, 18 de maio de 2011
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?
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